segunda-feira, 2 de junho de 2014

The Hlessi

  Troquei o nome do blog.

  Primeiramente, poque o nome antigo não tinha muito a ver com os meus objetivos eternamente mutantes... e hlessi é um estímulo para o que vem mais a frente no meu futuro!

  Sou um grande fã do livro A Longa Jornada, de Richard Adams(autor de Shardik, outro excelente livro), que originalmente se chama "Watership Down"(que é bem mais legal). A história de alguns coelhos que decidem fugir de sua coelheira diante da visão profética de um deles, onde os campos ficam banhados de sangue no crepúsculo. Companheirismo, impulsividade, intuição e coragem para seres tão pequenos... Chega a ser difícil associar tais emoções aos humanos, quando elas são tão engrandecidas em seres tão pequenos e ingênuos(porém incrivelmente astutos, às vezes) durante a sua jornada épica em busca do seu lugar ao sol.

  Enfim, o termo hlessi deriva deste livro. Usam-no para se referir ao coelho que não tem toca, que não vive em uma coelheira, que vive ao ar livre, errante. Oras, o coelho é naturalmente uma presa, não um predador. No livro, é possível ver o receio com que eles saem no descampado, temendo ser atacados por um elil(inimigo) a qualquer instante, a despeito de seu faro aguçado e sua velocidade. Um coelho que vive assim não passa de um... pária, um que 'não é um coelho' aos olhos de seus irmãos de pelo.
Hlessil, da melhor estirpe 


  Eu gosto desse livro pois ele é uma grande analogia facilmente aplicável à sociedade. Todos nós, em algum ponto, somos coelhos como eles. A questão é: de qual coelheira? Da coelheira de Prímula, acatando as regras de outros seres e sacrificando os da sua espécie em troca de algum benefício? Ou de Efrafa, com suas regras e rotina de prisão, se submetendo à tirania, em troca de segurança, mas sem saber o que é felicidade? Ou até mesmo da antiga coelheira de Aveleira, onde todos são passivos e molengas, resistentes à mudança?

  Gosto de imaginar que eu sou como um daquele distinto grupo de coelhos, caçando seu lugar ao sol, se expondo aos riscos da vida, afinal, não seria possível encontrar seu Favo de Mel se não tivessem tido a coragem de deixar a falsa segurança, a tirania e o medo para trás, ignorando conselhos que pareciam bons, mas não eram conselhos saídos de seus corações e instintos. São coelhos que abdicaram de tudo e correram atrás do que achavam certo, lutaram e viram muito, sentiram medo e incerteza, mas prosseguiram.

  Há algum tempo eu me tornei um hlessi. Não tenho um ponto fixo no mundo. Sacrifiquei a tirania e a falsa segurança para caçar minha felicidade, meu lugar ao sol, e encontrar meu Favo de Mel. Existe uma coelheira para pessoas como eu, mas ela ainda está longe na minha Longa Jornada. 

  Ei de encontrá-la.

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