Eu prefiro interpretar o sentido de amor platônico como o amor impossível, que se alimenta das ilusões e expectativas não enfrentadas pela mente sonhadora. Aquela pessoa que se torna perfeita, com os defeitos que não são defeitos, com as respostas perfeitas, com o comportamento autômato que reflete a minha vontade, condicionada à perfeição para respostas à la Pavlov.
Não sei se é assim com todo mundo. Mas sei que é assim comigo. Ficar perdido, daydreaming sobre as possibilidades e as oportunidades, idealizando a pessoa perfeita, só pra depois ter todas essas expectativas deitadas na porrada sob o braço forte da realidade(que nunca, jamais condiz com as nossas expectativas). Aquela agonia e dor no peito de não estar perto de uma pessoa tão perfeita, chega a ser cômico. A criança que tenta prender o vapor entre as palmas das mãos.
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| Isso se aplica à pessoas que já se foram dessa vida... mas ainda moram aqui |
A melhor parte é confrontar toda essa miragem e levar um belo tapa na nuca, direto das mãos da realidade, essa bastarda. A pessoa não tem aquela voz, a pessoa não tem aquele jeito, a pessoa não faz absolutamente nada do que você imaginou. A pessoa não vai com a sua cara. E agora, mané?
Apesar de ser algo incontrolável, que vem como o vento morno nos dias de inverno(quando se menos espera, sentado na estação esperando o trem), tem em si uma magia incompreensível. Dá cor a vida, dá vida aos sentimentos. É como viver um sonho encarnado. Sim, o sonho acaba, mas... e se um dia simplesmente não acabar? Talvez seja o ideal de uma pessoa romântica e volátil, que ama e deixa de amar em um estalar de dedos, em um vórtice infinito de sentimentos opostos. Talvez seja apenas uma bobagem, que passa enquanto se amadurece na vida e a realidade e praticidade se sobrepõe a coisas bobas. Talvez seja algo essencial à vida colorida. Talvez seja eu, talvez não exista forma de extrair isso da minha personalidade.
O que eu acho... é que um dia não vai acabar.

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