terça-feira, 10 de junho de 2014

Amor Platônico, essa coisa

  Platão considerava a ideia de que amor era algo que residia no mundo das ideias, um mundo perfeito, que não podia ser emulado da mesma forma no mundo material, pois era desprovido de paixões e estímulos materiais. Um amor de Platão é algo que não tem relação com o físico.
  
  Eu prefiro interpretar o sentido de amor platônico como o amor impossível, que se alimenta das ilusões e expectativas não enfrentadas pela mente sonhadora. Aquela pessoa que se torna perfeita, com os defeitos que não são defeitos, com as respostas perfeitas, com o comportamento autômato que reflete a minha vontade, condicionada à perfeição para respostas à la Pavlov.
  
  Não sei se é assim com todo mundo. Mas sei que é assim comigo. Ficar perdido, daydreaming sobre as possibilidades e as oportunidades, idealizando a pessoa perfeita, só pra depois ter todas essas expectativas deitadas na porrada sob o braço forte da realidade(que nunca, jamais condiz com as nossas expectativas). Aquela agonia e dor no peito de não estar perto de uma pessoa tão perfeita, chega a ser cômico. A criança que tenta prender o vapor entre as palmas das mãos.
Isso se aplica à pessoas que já se foram dessa vida... mas ainda moram aqui
  Mas afinal, se tanto dói, por que se sujeitar a isso? Creio que não seja uma opção. Simplesmente acontece. Você está no seu canto, viajando na maionese, cuidando da sua vida, quando de repente BOW!! Você está apaixonado... de novo. Aquela coisa que te remói, te torce por dentro, te faz ter sonhos com pessoas que você nunca viu, te faz pensar que aquela cama vazia naquela casa vazia é tão birrenta... Você dá voz e sentimentos a esses fantasmas, personalidades distintas, mas que sempre refletem aquilo que te falta: compreensão, alguém com quem compartilhar as coisas, alguém com quem brigar e depois abraçar.
  
  A melhor parte é confrontar toda essa miragem e levar um belo tapa na nuca, direto das mãos da realidade, essa bastarda. A pessoa não tem aquela voz, a pessoa não tem aquele jeito, a pessoa não faz absolutamente nada do que você imaginou. A pessoa não vai com a sua cara. E agora, mané?

  Apesar de ser algo incontrolável, que vem como o vento morno nos dias de inverno(quando se menos espera, sentado na estação esperando o trem), tem em si uma magia incompreensível. Dá cor a vida, dá vida aos sentimentos. É como viver um sonho encarnado. Sim, o sonho acaba, mas... e se um dia simplesmente não acabar? Talvez seja o ideal de uma pessoa romântica e volátil, que ama e deixa de amar em um estalar de dedos, em um vórtice infinito de sentimentos opostos. Talvez seja apenas uma bobagem, que passa enquanto se amadurece na vida e a realidade e praticidade se sobrepõe a coisas bobas. Talvez seja algo essencial à vida colorida. Talvez seja eu, talvez não exista forma de extrair isso da minha personalidade.

  O que eu acho... é que um dia não vai acabar.

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