Lá no alto, correndo rápido, mudando sempre, tão grandes e pesadas e ainda assim suspensas. Nuvens que são cinzentas aqui em cima, mas logo ali na frente ficam azuladas, e lá longe somem e se tornam o horizonte.
Quando ficam rubras e escarlates, acompanhando o nascer e o adeus do Sol, pintadas em laranja, amarelo e magenta, por um período tão efêmero quanto os momentos românticos da vida deveriam durar.
Gosto quando as luzes da cidade iluminam as nuvens de chuva na noite e o céu fica com aquela cor de ferrugem, o silencio permeando tudo enquanto o ar pesa em sua umidade e algumas janelas de almas insones ponteiam o escuro.
Gosto quando as nuvens de chuva se aproximam e fazem aquele alvoroço, em toda sua imponência, grandes e titanicas, assomando por todos os lados, massudas e despretensiosas.
As enormes nuvens que mais parecem ilhas no céu nos dias frios e de céu azul e sol brilhantes, nostálgicas como só elas sabem ser, mesmo que sem querer.
Mas acho que as melhores de todas são as que compõem os dias nublados. Aquelas nuvens diagonais de quando a chuva está parando. O céu que parece um enorme cobertor monocromático durante a garoa afável. Aquele enorme cobertor pesado que não deixa o Sol dar a sua graça. Quando o céu não é visível por causa da chuva que cai pesada.
Ver o céu e as nuvens é um dos prazeres simples e profundos que a vida cede. Entender que somos todos iguais debaixo dele, que somos pequenos e frágeis, e que existem coisas maravilhosas e terríveis de se ver por aí. Entender que, assim como as nuvens que correm, somos todos folhas ao sabor dos ventos, e a vida sempre tem surpresas.
Eu curto.
| Grandes e imponentes, despreocupadas e barulhentas |