É curioso constatar como coisas óbvias são realmente verdade quando vivenciamos elas. O homem que atravessou o rio, ao retornar, não é o mesmo homem, nem as águas do rio as mesmas.
São Paulo antes era um lugar repleto de vazio e silencio, de cinza e solidão, de tristeza e nostalgia. A umidade e o frio do lugar podiam ser sentidos nos cabelos, nas roupas, nos ossos. No meu humor. A rotina era repleta de andar sozinho por aí. A casa era repleta da ausência de som. De cor. A cidade ecoava vozes que eu não entendia, vindos do passado, do futuro que não existia. Estava sempre à beira do desespero, mas só percebi isso quando me afastei do abismo.
Esse tempo em Sorocaba me deu esperança, me curou de tudo isso. A casa agora está repleta de som e calor, meus irmãos, nossos gatinhos. A umidade não me incomoda, a cidade ecoa somente os sons de uma cidade comum. Os dias nublados são agradáveis porque não estão abafados, e o céu cinza não trás mais aquela nostalgia agonizante e escrota, grudenta. O futuro é apenas amanhã, e tudo sempre acaba dando certo, de uma forma ou de outra. O passado é passado, e já se desfaz nas brumas da memória que esquece. Os sonhos deixaram de ser atormentados por pessoas para voltar ao que eram antes: pesadelos com o mar, monstros e quedas inesperadas pra te fazer acordar com sede no meio da noite. Sonhos com o cotidiano. Sem pessoas. Sem memórias.
Viver em Sorocaba me encheu de Sol.