Desde sempre eu pensei "cacete, que vista de merda, só tem prédio nessa cidade!". Era uma vista para um morro ao longe, completamente bombardeado de concreto e telhados. Sem verde, sem natureza, sem nada além de cinza e os imponentes prédios no topo, fazendo uma muralha que impossibilitava ver o pôr do sol. Que bela merda, não? Isso me fazia amaldiçoar o fato de morar em SP, preso no meio da civilização.
Mas então ocorreu um fato interessante. Como o progresso é uma coisa que existe independente de crise ou o que quer que seja(entenda """PROGRESSO"""), meu vizinho(que eu não conheço, obviamente) desenvolveu capital suficiente para: aumentar a casa! Pra cima! Exatamente na frente do campo de visão da laje!
Então, de forma surpreendentemente rápida, como formiguinhas noite e dia, os pedreiros começaram a erguer a casa, parede por parede, laje por laje(é, a casa é alta). E a paisagem foi sumindo. E quando eu me dei conta, lamentei horrores. O que antes era uma paisagem panorâmica da cidade e dos prédios, muito ao longe, virou uma parede com janelas para a minha casa, o que provavelmente vai diminuir o nível de privacidade que antes existia por aqui também.
Sim, aquela paisagem cinza já está fazendo falta. Nem tanto pelo fato de que a privacidade será minada, mas porque agora estamos mais presos, mais cercados. O cinza se aproximou, lá da distância, para apenas alguns metros. Em breve vai ser como morar entre prédios.
E todo aquele silêncio simpático e compreensivo da meia noite, quando as pessoas dormem e os carros diminuem seu fluxo, agora vai ficar menos legal. Mais oprimido visualmente. Tudo em nome do progresso.
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| Saudades visão panorâmica |
