domingo, 1 de fevereiro de 2015

Epifania

  Não vou mais viajar. Vou voltar pra SP.

  Já fazem o que, quase dois anos? Abandonei faculdade e trabalho e toda a pressão da cidade e da sociedade e me refugiei em Sorocaba, em busca da vida simples e de tudo que isso envolvia, e tudo isso decidido em menos de um mês. 


  Eis que agora, em menos de uma semana(sempre assim), me decido a voltar pra SP e terminar o que comecei. Como as engrenagens de uma máquina há muito desativada e empoeirada, as coisas começaram a funcionar aos poucos, ganhando ritmo, até finalmente estar a pleno vapor. A cada dia que passava da semana, alguma coisa se encaixava na minha cabeça com um estalo, como se sempre estivesse lá, com naturalidade. Ideias e noções que não existiam antes, mas que agora se assentavam como se eu sempre houvesse dado ouvidos à elas.

  A viagem nada mais era do que uma forma de fugir de fantasmas, camuflada com poesia sobre liberdade e coisas que não me impressionam tão mais(agora, depois do estalido). O trabalho laboral é honroso e eu gosto dele, mas existe algo mais pra mim lá fora, algo sobre desenvolver meu ser e minha mente, e isso exige esforço, já que é uma coisa com a qual eu não simpatizo. Já não me incomodo de ser só, e isso me torna apto mais do que nunca a estar com alguém. Aprendi a aceitar minha deficiências, meus medos e incapacidades. De repente, é como se uma voz sussurrasse na minha cabeça "chegou a hora...", e sim, tudo parece estar no seu devido lugar nessa revolução rotativa em que vira a Terra, conspirando a favor.

Sem mais nasceres do Sol dramáticos 
  Deixo esses dois anos para trás sem remorso, provavelmente com alguma saudade futuramente. Mas é curioso, sempre me fustiguei com 'e ses' antes de alguma mudança dessa magnitude, mas dessa vez não. É como se uma peça do quebra cabeça estivesse voltando ao seu lugar. Como se a imagem que eu tenho do meu eu adulto estivesse se concretizando. Me tornar responsável e achar meu lugar no mundo, sem essas aspirações adolescentes de fugir das pressões. A vida é dura, mas ninguém disse que não seria. E quem disse que seria, mentiu. Mas quem não mente?

  A ideia basicamente é voltar a morar com meus irmãos, arrumar um trampo que pague a facul e viver com pouco(muito pouco) por quase dois anos, me exercitando em casa e não na academia, vivendo de forma simples como eu vivi aqui. A ideia é simples, e no final das contas, tudo é simples, as pessoas que complicam. 

  Acho que grande parte da pressão anterior à saída de SP se devia às expectativas que eu tinha de mim mesmo. Agora não tenho nenhuma.
  Sou livre. De mim mesmo.

Mais velho, mais quieto e menos indeciso