quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Veganismo

  Já fazem alguns meses desde que eu resolvi tentar o veganismo. Algumas pessoas tendem a confundir isso com o vegetarianismo, porém existem algumas diferenças críticas entre os gêneros. Enquanto o vegetarianismo se limita a não ingerir carne animal, o veganismo preza por algo um pouco mais ‘extremo’(como as pessoas diriam): não ingerir NADA que tenha origem animal, seja leite, queijo, ovos e até mesmo mel. Porém não para por aí(ao menos o que eu faço), isso inclui não ingerir produtos industrializados e processados, tais como sal, açúcar refinado, farinha de trigo refinada e qualquer outra coisa que esteja nas prateleiras do mercado, dentro de saquinhos e cheios de química que fazem com que os produtos durem(pasme!) mais de ANOS por ali. Vez ou outra eu dou meus pulos, mas sempre acabo me arrependendo, as comidas que antes era tão gostosas hoje em dia me causam mal estar e acabam prejudicando todo o meu desempenho no quer que eu faça. Uma das poucas exceções que eu ainda consumo é própolis(que vem das abelhas).


Sei que parece muito, mas isso provavelmente
vai acabar em duas semanas.
  Eu vou tentar fazer e responder algumas perguntas que eu mesmo teria feito antes de começar com isso. Por exemplo, o que diabos eu como, se não como nada disso acima? Minha dieta é baseada em frutas, verduras e vegetais, a grande maioria consumida no estado cru. Por incrível que pareça, eu consumo cerca de 3000kcal por dia, isso quando não faço algum exercício, passando pra 3500kcal. Pode parecer estranho, mas não há nada de absurdo ou extremamente difícil nisso. Sim, eu consumo a minha dose diária de proteínas(cerca de 70g), muitas pessoas não sabem mas praticamente todos os alimentos possuem sua carga de proteína, como a banana e o espinafre. Não, fruta em excesso não faz mal, essa balela de que frutose faz mal e engorda é uma das maiores pegadinhas da indústria alimentícia. Em alguns meses emagreci meus eternos 78kg pra 72kg, preservando toda a massa magra do corpo, sendo que a ingestão de frutas acaba dando em torno de 80% das minhas calorias diárias. Não, não faz mal ficar sem comer arroz e feijão e carne e sal e açúcar, fazem meses que eu não como esse combo, e a comida não fica sem gosto(salvo comidas cozidas, e nem todas nesse caso), muito pelo contrário, você passa a sentir o verdadeiro sabor de tudo que você come. Não tomo suplementos vitamínicos, não tomo suplemento algum pra absolutamente nada, inclusive vitamina B12, e olha só que curioso, eu estou longe de ter ‘anemia severa’, uma das maiores consequências da falta de B12. Me parece mais uma teoria não comprovada na prática, só isso.

  Agora os benefícios disso tudo. Eu costumava ficar doente mês sim, mês não, fosse com virose ou gripado. Isso já não acontece mais, desde que eu comecei a me alimentar melhor. Minha disposição está simplesmente soberba, era engraçado constatar às sextas-feiras, na sala de aula, grande parte do pessoal cansado da rotina, com sono, e eu completamente desperto. Minha pele melhorou horrores, nada de espinhas nas costas ou pele oleosa como antes. Claro, algumas pessoas podem pensar que isso não é grande coisa, mas os benefícios não param por aqui, e creio que só esse tipo de dieta fornece as seguintes mudanças: clareza mental e tranquilidade. É como se só agora eu começasse a pensar de fato, as linhas de pensamentos fluem, as ideias que antes ficavam flutuando e orbitando, todas desconexas, agora criam forma e continuam gerando fluxos de raciocínio. Eu consigo entender melhor as coisas, rebater questões e discutir sobre quase qualquer assunto. E tranquilidade... Eu sempre fui uma pessoa muito brava(ainda sou rs), mas nesse meio tempo me vi ficando cada vez mais calmo, menos explosivo, menos impulsivo(ao menos um pouco mais racional nessa parte) e muito, mas muito mais compreensivo sobre as outras pessoas. Isso agregou qualidade de vida, e me sinto uma pessoa bem diferente do que eu era antes, mais paciente e menos irascível e julgador sobre as ações do próximo. Nunca me imaginei correndo, gostando de acampar e mochilar por aí, sempre fui muito quieto, acomodado e sedentário, mas agora eu tenho energia de sobra pra fazer o que eu quiser, quando eu quiser! Nada mais de passar os finais de semana dormindo, o corpo não deixa: sempre há uma inquietação pra fazer algo, correr, usar toda essa energia estocada no corpo, é maravilhoso!
Pra que dormir quando eu posso correr?
No morro? Ao meio dia?


  Enfim, isso é uma coisa bem radical e a maioria das pessoas não se sente com coragem pra tentar, tanto por achar que isso é muito extremista tanto por achar que vão faltas nutrientes no seu dia a dia(apesar de, nesse exato instante, elas estarem MUITO desnutridas, a despeito de toda a comida que comem). Porém eu digo, não é necessário mergulhar nisso de cabeça, eu mesmo levei muito tempo, em um processo de dois anos, que acabou culminando no hoje. Se quer algumas dicas, aí vão:


  • Pare de comer açúcar refinado AGORA, não amanhã, não depois da próxima festa ou almoço, AGORA. Pare com refrigerantes e coisas que contém farinha de trigo refinada, isso não passa de veneno para o corpo por ser formado por calorias vazias, com ZERO nutrientes(vou escrever algo mais profundo sobre isso mais pra frente).

  • Tente, daqui pra frente, comer mais frutas no dia a dia. Tente 4 bananas por dia, durante uma semana. Na outra semana, coma 6. Banana não é caro, é fácil de transportar e é muito gostosa, se você comê-la madura. Caso não queira, existe um mar de opção de frutas por aí, basta escolher a que você preferir.

  • Comece a pensar se tudo isso que você faz é verdadeiro. Comece a pensar se as fontes de informação que você tem são imparciais. Lembre-se que tudo que acontece hoje em dia tem como fim o lucro, mas não seu, e sim o das grandes indústrias. Será que o que dizem por aí visa realmente o SEU bem estar?


  Não vou me prolongar mais no assunto, mesmo porque não sei se vai haver uma boa repercussão sobre isso tudo. Mas aqui estão minhas ideias, ainda que superficialmente, e espero poder ajudar alguém com isso. Não sou um hippie que anda pelado por aí fumando mato, sou apenas uma pessoa normal que segue uma dieta diferente, e acho que as pessoas fariam bem em abrir a mente para coisas novas, eu garanto que esse estilo de vida é recompensador de formas muito profundas.
Não, esse não sou eu. Ainda rs

domingo, 20 de outubro de 2013

Pedra Grande de Mogi-Mirim - Trailrun

  Eu já havia feito essa trilha antes, algumas semanas atrás. Levei mais de 6hrs, me perdi 3x(saí do caminho na verdade... o que é quase a mesma coisa rs), tentei correr ela mas quase não consegui, e terminei a trilha bem cansado. Hoje pretendia fazer a coisa toda do jeito certo.

Manhã nublada em SP
  Acordei às 6, pois o relógio me pregou uma peça e não atualizou pra horário de verão sozinho(era pra acordar às 5). Tomei meu precioso café da manhã, metade de um abacaxi batido com mamão e algumas cerejas do nosso quintal, uma delícia cheia de nutrientes pra corrida de hoje. Saí de casa às 7, peguei o metro e fui parar na estação Tamanduateí lá pelas 7:45. De lá até Rio Grande da Serra, daonde sai o ônibus pra Paranapiacaba, foram mais breves 45mins, e nesse meio tempo aproveitei pra estocar mais energia comendo mais 11 bananas :D O céu estava nublado, o que prometia um tempo ótimo pra correr sem me extenuar.

  Chegando lá, sentei no ponto pra esperar o ônibus e um grande grupo, com mochilas cargueiras, todos com camisetas identificando o time, lotou a fila. Creio que iam descer a Garganta do Diabo, boa sorte pra eles! Eis que me aparece uma jovem, esperando seu grupo também, pois estava adiantada. Conversei com a Camila sobre trilhas e lugares perigosos do mundo, além de cobras peçonhentas, além de trocar informações sobre o grupo de trilhas dela. Quem sabe agora eu não acho gente pra fazer algumas travessias perigosas? Me despedi da simpática Camila e peguei o ônibus rumo à Paranapiacaba e ao começo da minha corrida.

Céu azul e corrida, precisa de mais?
  Já em Paranapiacaba, o céu abriu em um azul perfeito, com o Sol brilhando como se fosse meio dia, e muitas pessoas já circulavam por ali. Desci a rua de paralelepípedos, atravessei a ponte que passa por cima dos trilhos e virei à esquerda na lanchonete. Subindo essa rua e indo para a esquerda, sempre para a esquerda, você chega na estradinha de pedregulhos que sobe para a Estrada de Taquarussu. Não tem erro, você passa pela guarita de madeira e segue em frente até o vilarejo.
Vilarejo de Taquarussu
Comecei a corrida às 10 em ponto, chegando no vilarejo às 10:30, mantendo um passo firme mesmo nas subidas. O vilarejo tem uma pia dentro do galpão ao lado da igreja onde se pode pegar água(eu me reabasteci ali). Seguindo em frente pela estrada de terra se chega em uma bifurcação, pegue o caminho da esquerda que ele vai para o pesqueiro(o da direita vai para um camping). Mais a frente, um cruzamento: basta seguir reto nele e entrar na estradinha com pinheiros e seguir em frente para chegar no pesqueiro. Passando o pesqueiro, pegue à direita na estradinha que circunda o lago até dar em uma porteira(basta desencaixar ela do lado direito e passar, algum goiabão estragou ela pra passar por baixo, não faça isso ¬¬).
Bifurcação depois do pesqueiro
A bifurcação logo após o pesqueiro foi o primeiro lugar onde eu me perdi, seguindo reto ao invés de virar, e entrei em outra trilha. Me custou tempo, mas fui recompensado com um pedaço da trilha que tinha virado um pequeno córrego de águas transparentes, uma das coisas mais lindas que eu já vi!


  Atravessando o riozinho(com uma pequena barragem que alguém fez, ficou legal), a trilha começa de fato, e lá de cima já é possível avistar a Pedra Grande. Seguindo o caminho você acaba dando no começo da trilha pra Pedra, mas existem dois desvios curiosos. Ambos ficam em um pequeno vale, onde há uma casinha solitária, e a estrada tem canos de água preto do lado esquerdo. Antes da trilha começar a subir, há um caminho com alguns dutos de cimento logo na curva, alguns motoqueiros que estavam zanzando por ali pegaram ela e foram dar na porteira logo antes da entrada pra Pedra Grande(encontrei com eles lá, algum tempo depois), mas nunca andei por esse caminho, só vi ele por causa dos motoqueiros.
Motoriders
O outro é logo de frente para a casinha, tem uma trilha que sobe pelo lado direito da estrada, bem fechada, que passa por cima do lago verde e vai dar em uma outra casinha isolada. Como eu prefiro passar pelo caminho de baixo, com o caminho bonito dos pinheiros, deixei esses atalhos pra lá e continuei minha corrida.


  Logo depois do lago verde, subindo a estradinha por debaixo de alguns pés de banana, há uma bifurcação mascarada(aqui que um dos atalhos dá, eu peguei ele da primeira vez e voltei na trilha rs).
De frente para a casinha
Com a casinha branca na sua frente, a estrada continua nas suas costas, subindo em uma curva fechada, por degraus cavados no chão, bem escorregadios. Mais acima, outra bifurcação, dessa vez vá pela direita, até atingir a segunda porteira(não sei o que há no caminho que vai para a frente). Passando a segunda porteira e subindo alguns metros, eis a entrada da trilha pra Pedra Grande, marcada por uma placa bem evidente. Cheguei nela às 11:30, arrasando com o tempo anterior.


  A trilha é fácil de seguir, só se atente pra não errar o acesso à pedra, que é um barranco íngreme à esquerda, pois a trilha continua em frente(aqui que eu me perdi pela terceira vez, fui reto no barranco e perdi 50mins lá na frente, tentando achar uma trilha que não existia). Para subir, escalaminhada! Cuidado com o chão escorregadio de folhas de bambu e os pontos que parecem seguros para apoiar os pés, são bem traiçoeiros, mas o caminho em si é fácil, sem erro de trilhas adjacentes. 

Silêncio, vento e vastidão
  Chegando lá em cima, a recompensa! Uma bela vista de Mogi Mirim, grande parte da Serra do Meio e até uma(talvez, se a névoa deixar) vista da longínqua Cubatão.
Triste, mas presente
Só achei triste constatar que cada vez mais há plantação de eucalipto aqui, ao invés da mata original... lastimável o nosso 'avanço', afinal, avançando pra onde?


  Cheguei no topo às 11:50, descansei, tirei fotos e comi minhas 12 bananas. 12:15 comecei a descida e voltei à entrada da trilha às 12:40. Daí pra frente foi só continuar a corrida pela estradinha simpática até o bairro de Quatingá. Essa parte foi a mais divertida de todas, pois saí desvairado nas descidas cheias de pedras, pisando freneticamente e sem levar um escorregão sequer :D Acho que nunca corri tão rápido na minha vida rs.

  A trilha toda tem aproximadamente 17kms, em um passo tranquilo pode ser completada em até 8hrs, e não tem pontos de água potável, portanto, leve bastante água e comida!

  Cheguei no ponto de ônibus de Quatingá às 13:15, baixando minhas mais de 6 horas anteriores para meras 2 horas e 45 mins. E o melhor: sei que é possível baixar esse tempo mais ainda! Daqui alguns meses eu volto lá e dou cabo disso :D Depois foi só pegar o ônibus C193 e ir para a estação da CPTM, e depois... casa! (chegar em casa demorou mais de 2hrs rs). E dessa vez não fiquei tão cansado quanto antes >=) foi um excelente domingo!

  Provavelmente o próximo desafio será a Serra do Voturuna, lar de mutucas... vai ser um grande desafio õO

  

sábado, 19 de outubro de 2013

TrailRunning - Até breve SP!

Adeus selva de pedra
  Em breve começo uma nova fase da minha vida, e para isso, terei que dizer adeus a SP mais uma vez... não sei por quanto tempo, mas sinceramente espero que seja de uma vez por todas, não que eu não goste daqui, mas viver em uma grande metrópole não serve mais aos meus propósitos e à minha busca por qualidade de vida. Vou deixar meu emprego atual, trancar a faculdade e me sujeitar ao espaço FORA da zona de conforto: o Desconhecido! E estar plenamente aberto a todas as opções e novidades que me forem postas no caminho. Assim que se vive, assim que se dá sentido à vida.

Burros aéreos no topo do Voturuna com SP ao fundo...
que dramático rs
  MAS, como eu ainda terei algum tempo antes de ir-me... eis que vou revisitar todas as trilhas nas quais já coloquei meus pés, porém com um diferencial: vou fazer todas elas CORRENDO, o máximo que der, o mais rápido possível! Algumas vão ter um grau de dificuldade bem alto, como a Trilha do Pai Zé, no Pico do Jaraguá, que é praticamente subida o tempo todo, mas é aí que reside a graça da coisa! Como eu vejo poucos relatos sobre algumas trilhas que eu já fiz, como a da Serra do Voturuna, pretendo colocar aqui meus relatos sobre elas para informar aqueles que quiserem fazê-las também, ou ao menos tentar com a maior gama de detalhes possíveis.


  A corrida em trilha é uma coisa levemente diferente da corrida normal. A começar que eu corro de AllStar sem palmilhas, para que seja o equivalente a correr descalço. Depois, justamente por andar com um calçado que deixa meus pés mais vulneráveis, eu tenho a obrigação de prestar muito mais atenção na trilha pra ver onde vou pisar. Esse tipo de corrida desenvolve o senso de noção espacial e corporal drasticamente: você precisa reagir depressa ao caminho, copiar o chão e entender onde você está pisando, além de sempre tentar achar de forma rápida o melhor caminho(desviando de buracos ou poças, pedras grandes e coisas e tal). Por correr praticamente descalço, sempre tento me atentar a coisas mais minuciosas ainda: fazendo pouco barulho, e se possível, sem deixar rastros. Nada de pegadas fortes em lamas ou sinais de escorregadas em pedras, a ideia é correr leve e rápido como o vento. Já assustei algumas pessoas correndo silenciosamente na rua, de noite rs.
Um dos maiores prazeres de uma vida

  Pretendo dar cabo desse pequeno projeto nas próximas semanas, agora que terei mais tempo livre, mas começo amanhã mesmo: Trilha da Pedra Grande de Mogi-Mirim, de aproximadamente 17kms.

  Mal posso esperar, vou me divertir horrores :D

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sobre Barefoot Running(Correr Descalço)

Saudações!

  Já fazem alguns meses desde que eu li o livro 'Born to Run', do Christopher McDougall, onde ele relata a jornada dele em busca da lendária tribo dos Tarahumara, nativos mexicanos que corriam distâncias absurdas usando sandálias de pneu sem nunca se lesionar. Pra quem sabe ler em inglês, eu fui guiado por esse post(GettingStronger).
Tarahumara correndo

  A ideia, basicamente, é a de que o tênis de corrida, esse bonito, todo colorido que mais parece uma alegoria de carnaval(não me entendam mal, tênis de corrida é colorido demais), é um dos artigos mais perniciosos já criados pelo ser humano. Mas como assim, certo? Esse tipo de tênis tecnicamente devia proteger e ajudar o desempenho nas corridas!
  Pois então. De forma resumida, a eterna inclinação do corpo em decorrência do solado alto e a absorção de impacto pelas tecnologias empregadas ao tênis como um todo sanam as lesões a curto prazo(entenda-se, machucar os pés por atrito), mas no longo prazo isso gera lesões crônicas, como fratura muscular e canelite, para citar apenas o que aconteceu comigo. Segundo Da Vinci, o pé humano é uma 'obra-prima da engenharia', composto por 26 ossos, 33 juntas, 12 tendões e 18 músculos, ou seja, uma máquina feita para, quando entrar em contato com algo duro(como o chão), se adaptar de forma perfeita sobre ele. Por que diabos algo tão perfeito e complexo precisaria de uma correção ou um corretivo, como um tênis de corrida com suas suspensões à ar? Essa é a questão: não precisa! Quando seu pé joga o dobro do peso do seu corpo em cima de um solado mole, feito pra absorver todo o impacto, é como se seu corpo estivesse pisando em pudim, tendo que se remanejar inteiro para se equilibrar, sem contar que, ao pisar com o calcanhar, todo o impacto vai para as pernas, e não para a arte que são os pés.
  O autor fala também sobre os Bushmen(aquela tribo do filme "Os Deuses devem estar loucos"), homens que caçavam antílopes até a exaustão simplesmente correndo atrás deles. Parece impossível, não? Mas não é, um americano, que conviveu com eles, presenciou o ocorrido, e a explicação é justa: humanos são os únicos seres que tem tendões feitos para correr que conseguem respirar enquanto correm, por mais de 10mins. Aparentemente fomos criados para isso, e por isso nos diferimos dos outros animais. Polegares, eis aqui seu companheiro de justificativas evolutivas!
  Pra entender melhor a história inteira, nada como ler o livro! É um ótimo livro, com ótimas histórias sobre ultramaratonistas e sobre como pensar fora da caixa. Eu me senti profundamente inspirado por ele e resolvi testar essa teoria na raça! Comprei meu par de AllStars, tirei as palmilhas, rasguei a parte grossa que entra em contato com os calcanhares e corri meus primeiros 10kms equipado dessa forma. Resultado: dores como nunca tinha presenciado nas panturrilhas e quadríceps. Sim, é como se eu nunca tivesse usado esses músculos!
  Esse site(
HowTo - Barefoot Running) mostra o tipo de pisada correta ao se correr descalço/com tênis baixo e os músculos que isso utiliza. Ano passado eu tive que parar de correr devido à fratura muscular, porém esse ano já fazem meses que eu corro dessa forma e nada de dor! Sem contar que meu desempenho melhorou muito desde então, correr 18kms agora é uma volta no parque(mentira, ainda cansa muito, mas agora eu consigo :D).
Correndo de AllStar em trilha.
  Não estou dizendo pra você largar tudo e ir correr descalço na rua. A ideia é mostrar um ponto de vista diferente sobre a corrida em si, que existe solução pra se correr com prazer, sem sentir dor. Nunca antes eu havia corrido sentindo tanto prazer quanto agora.
  Que tal experimentar, e vez ou outra correr com um tênis baixo, pisando com a parte frontal dos pés, com as pernas flexionadas, ao invés de socar o calcanhar no chão? Uma coisa é certa: você vai usar as batatas da perna pela primeira vez na vida.
  Repense as coisas ao seu redor. Somos uma civilização muito acomodada, sempre buscando maneiras mais fáceis e menos trabalhosas de alcançar algo, e isso às vezes leva à equívocos, como o tênis de corrida, que devia melhorar nossa vida mas nos causa dor. Será que não existem mais coisas na vida que, sendo regredidas ao seu sentido primal, seriam melhores? Como correr descalço, de forma selvagem, será que não existem mais coisas na nossa vida que possam seguir esse exemplo? Fica a reflexão.

domingo, 13 de outubro de 2013

TrailRunner

Olá!

Meu nome é Gabriel e essa é a minha primeira tentativa de escrever um blog. Como eu raramente vejo dicas ou relatos das trilhas que eu costumo fazer, sobre veganismo e sobre trailrun, pretendo colocar meu ponto de vista sobre esses assuntos aqui.

Críticas construtivas são sempre bem vindas!
Gabriel