Moro em ap e desde sempre quis um companheiro animal, mas nunca dei cabo da vontade pois tenho pena de deixar o pobrezinho encarcerado o dia inteiro dentro desse cubículo, por mais confortável que seja. Eis que um belo dia estava voltando do mercado(pipoca) quando avistei um pequeno gatinho quase sendo atropelado. Minha consciência lutou por alguns segundos(foram poucos), mas resolvi levar o pequeno pra casa e cuidar até achar o dono dele, pois estava bem cuidado e blablabla. Porra nenhuma, agora o gato é meu haha.
Nos últimos tempos um texto chamou muita a minha atenção(Ele sumiu, e agora?). Fiquei pasmo ao constatar que eu sou o fulano do texto, olha só que merda. Desde então algumas ideias e conceitos que eu vinha construindo na minha mente caíram como um castelo de areia na praia(acho que nenhum castelo de areia dura muito na praia). Apesar de toda a auto-estima contruída nos últimos 4 anos, depois de partir de um relacionamento seguro e me afundar em mágoa e dúvidas, o interior continuava frágil e inseguro, impotente diante das reviravoltas da vida. Eu continuava fraco.
E isso me fez rever todo o resto. Me peguei sendo estúpido com Alexei uma ou outra vez, e percebi que ele ficava extremamente magoado, indo se enfurnar no quarto ou me olhando apático. Desde então, percebi o quão nociva pode ser minha impulsividade, e estou controlando-a com todas as minhas forças. Entendi que todos esses anos de exercício praticamente não mudaram meu corpo, e que, por mais forte que tenha ficado no treino de força(mais forte do que muita gente), isso ainda não me dá direito algum de me sentir superior às pessoas. Me dei conta de que grande parte do tempo estou exercitando a auto-estima me comparando com as pessoas, mas acho isso errado, ainda mais depois de ler esse texto(Auto-estima x Compaixão).
Enfim, não sei se é porque meu último período está passando, mas talvez algumas coisas estejam se encaixando aqui dentro. Talvez esteja entendendo afinal o conceito de me aceitar como eu sou. Esteja ficando mais preocupado de fato com o que eu sou do que com o que as pessoas me julgam ser. Alexei é a prova disso. Aparento ser uma pessoa legal mas na verdade sou um estúpido, que faz sem querer. Agora, acho que Alexei não se importa se é sem querer ou não: mágoa é mágoa. Não quero ser um eterno ogro.
O que eu senti diante de tudo isso entrando finalmente na minha cabeça foi estupefação. Ficar alguns segundos parado, olhando pro nada com cara de espantado, com a boca aberta, enquanto essas linhas de ideias se assentavam na minha mente. Engraçado como sempre temos inúmeros conceitos do que é certo, mas acatamos e praticamos poucos deles.
Obrigado Alexei.
E pare de me morder.
| Pequeno mestre |