Já fazem o que, quase dois anos? Abandonei faculdade e trabalho e toda a pressão da cidade e da sociedade e me refugiei em Sorocaba, em busca da vida simples e de tudo que isso envolvia, e tudo isso decidido em menos de um mês.
Eis que agora, em menos de uma semana(sempre assim), me decido a voltar pra SP e terminar o que comecei. Como as engrenagens de uma máquina há muito desativada e empoeirada, as coisas começaram a funcionar aos poucos, ganhando ritmo, até finalmente estar a pleno vapor. A cada dia que passava da semana, alguma coisa se encaixava na minha cabeça com um estalo, como se sempre estivesse lá, com naturalidade. Ideias e noções que não existiam antes, mas que agora se assentavam como se eu sempre houvesse dado ouvidos à elas.
A viagem nada mais era do que uma forma de fugir de fantasmas, camuflada com poesia sobre liberdade e coisas que não me impressionam tão mais(agora, depois do estalido). O trabalho laboral é honroso e eu gosto dele, mas existe algo mais pra mim lá fora, algo sobre desenvolver meu ser e minha mente, e isso exige esforço, já que é uma coisa com a qual eu não simpatizo. Já não me incomodo de ser só, e isso me torna apto mais do que nunca a estar com alguém. Aprendi a aceitar minha deficiências, meus medos e incapacidades. De repente, é como se uma voz sussurrasse na minha cabeça "chegou a hora...", e sim, tudo parece estar no seu devido lugar nessa revolução rotativa em que vira a Terra, conspirando a favor.
| Sem mais nasceres do Sol dramáticos |
A ideia basicamente é voltar a morar com meus irmãos, arrumar um trampo que pague a facul e viver com pouco(muito pouco) por quase dois anos, me exercitando em casa e não na academia, vivendo de forma simples como eu vivi aqui. A ideia é simples, e no final das contas, tudo é simples, as pessoas que complicam.
Acho que grande parte da pressão anterior à saída de SP se devia às expectativas que eu tinha de mim mesmo. Agora não tenho nenhuma.
Sou livre. De mim mesmo.
| Mais velho, mais quieto e menos indeciso |
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