Aos 12 anos me enfiei em uma concha de introspecção. Mudar de escola, depois mudar de cidade, não ajudaram muito, e eu fui colocando mais camadas na minha concha. O exterior era inóspito e selvagem, e a concha me protegia de QUASE todas as agressões. Não me relacionava bem com as pessoas, e sofria muita represália sem nunca poder me defender, pois mesmo com concha, o interior se ressente. Continuei assim, medíocre, até os 16 anos, quando conheci meu amigo de Áries e seu irmão de Leão.
A partir desses dias, as coisas mudaram. A concha foi destruída e eles me cederam a sua força pra andar pela terra sem temer agressões. Me ensinaram o poder que reside na empatia, na arrogância, na petulância e na impetuosidade. As coisas que me ofendiam agora eram ofendidas de volta. Toda aquela raiva sem voz finalmente saiu aos berros, bradando fúria e apontando um dedo arrogante na cara dos ofensores.
Mais do que isso. Ambos me ensinaram a ver a vida sob um prisma romântico, levado pela ação, e não pelas lamúrias. O mundo é dos fortes, dos que caminham com as suas próprias pernas, e não há tempo para chafurdar na sua própria miséria. Me ensinaram que o mundo é prático, não há tempo pra melosidades e martírios. Me ensinaram sobre ser uma pessoa mais forte, a revidar os que oprimem, a rir das coisas realmente engraçadas. A não se deixar levar pelas coisas aparentemente corretas. A viver a vida de forma simples.
Se não fossem eles, ainda estaria hoje dentro da minha concha, esquecido e fodido, afundado na minha própria desgraça, fraco e ignorante. Provavelmente levando a vida como a maioria leva, com rumo definido, junto com a maré.
Valeu, xonens.
| Leão e Áries |
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