domingo, 26 de julho de 2015

Sobre o que me atormenta

  Ainda hoje sonho com ela. 

  Os temas dos meus pesadelo não são mais alienígenas, abduções e presenças temerosas no meu quarto. As quedas de precipícios já são encaradas com ar de indiferença e sempre um "foi um prazer conhecer vocês!" é entoado momentos antes do carro se espatifar no seu destino, com todas as pessoas gritando alucinadamente, em slow motion. 
  
  O que me atormenta nos meus sonhos é sempre ela.

  Neles, ela ainda tem 21 anos. As vezes vem acompanhada do seu marido, as vezes não. As vezes ela está mais bonita do que eu me lembro, as vezes não. Mas em todas as vezes acontece a mesma coisa: eu sou a pessoa que corre atrás dela, que tenta voltar. E em todas as vezes é ela quem parte. Ela fica só por alguns momentos, e sempre some, sempre vai embora sem dizer adeus. Algumas vezes trocamos beijos e abraços, algumas vezes estamos deitados na cama, como sempre era antes. Mas ela sempre se vai.

  E o que mais me irrita nesses sonhos é que eles não são amedrontadores. A sensação é de abandono, esquecimento, miséria. De achar que eu nunca mais vou conseguir amar ou ser amado novamente. De que eu nunca mais serei bom pra alguém de novo. De que eu nunca mais vou parar apenas de vislumbrar esse tipo de felicidade de novo, de que eu jamais vou conseguir atingir aquele nível de existência de novo.

  Sinceramente, eu não sei o que isso significa. Eu ainda amo ela? Estamos destinados a algum dia ficar juntos novamente? Eu sou só uma pessoa que guarda aquela recordação com muito carinho? Eu só ainda não achei alguém de quem gostar tanto quanto ou talvez mais? Eu sou exageradamente dramático e isso tudo na verdade não é nada demais e faz parte do processo de esquecer alguém?

  Eu não sei. 

  Esses sonhos me perseguem desde o dia em que eu fui embora. Não se passa uma semana sem que eu pense, lembre ou sonhe com algo daquela época. É uma miríade de fantasmas me aborrecendo, me deixando as vezes triste e deprimido, desanimado com as perspectivas dessa vida. Me fazendo sentir sozinho nesse mundo tão grande. Me atormentando.

  Mas essa é uma das facetas da minha vida. Eu ainda trabalho, dou risada, faço coisas de que eu gosto, projeto objetivos para o futuro, sou(acho) feliz. Porém existe essa merdinha que fica se repetindo comigo, e eu não sei o que fazer com ela além de esperar que passe. De verdade, eu não sei o que fazer. Não sei nem se existe algo pra se fazer a respeito disso.

  Até pouco tempo(agora pouco), eu achava que isso só acontecia comigo, mas parece que não. Não sei se isso é bom ou ruim, sei que ninguém se beneficia disso.
  Mas não estou literalmente em uma casa escura, jogado no chão, ao léu. Estou crescendo e me desenvolvendo, como qualquer outra pessoa. Bem, na medida do possível, mas pensando sempre no que diabos essas coisas querem dizer, se é que querem dizer algo(e se querem, poque não falam logo malditas?).
  
  Me pergunto se ela sonha comigo com a mesma frequência com a qual eu sonho com ela. 

  E se os sonhos se parecem...

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